Caracterização e dinâmica do abate de bovinos em Santa Catarina

A produção de carne bovina é uma das principais atividades agropecuárias de Santa Catarina, sendo responsável por 4,6% do VBP agropecuário do estado e abrangendo mais de 33 mil produtores. Embora o rebanho e o  número de animais abatidos venham crescendo nos últimos anos, o estado produz apenas metade da carne bovina que consome. Não obstante sua relevância, há carência de informações sobre a cadeia da bovinocultura, em especial em relação ao abate. Em razão disso, o presente artigo busca caracterizar esse setor e compreender a dinâmica de funcionamento do mesmo. Verificou-se que, apesar do crescimento da produção, o número de frigoríficos caiu 18,7% entre 2013 e 2018. A maior queda foi observada entre os estabelecimentos com SIM, cujo número foi reduzido em 26,8%, enquanto aqueles que possuem SIE registraram retração de 14,4% e os que contam com SIF mantiveram seu número inalterado. Observou-se também que os estabelecimentos com SIE foram responsáveis por 76,9% dos bovinos abatidos em 2018, enquanto as unidades com SIF representaram 18,3% e
aquelas com SIM responderam por 4,8%. Em relação a 2013, houve crescimento na participação dos estabelecimentos com SIE e queda na participação dos abatedouros com SIM. Em 2013, os estabelecimentos que abatiam mais de 5.000 bovinos por ano representavam 67,7% da produção, montante que passou para 77,2% em 2018. No outro extremo, aqueles que abatem até 500 animais por ano respondiam por 3,2% em 2013, caindo para 1,2% em 2018. Esses dados demonstram um processo de concentração expressivo em curso. Se, por um lado, isso possibilita um ganho de escala e de eficiência produtiva, por outro, tem como efeito colateral a exclusão dos frigoríficos que não conseguem se adequar às mudanças, além dos produtores que não atendem aos novos padrões. Além dos aspectos econômicos, é necessário considerar as consequências sociais desse processo, uma vez que ele afeta dinâmicas locais de desenvolvimento. Artigo na integra

Ano: 2019

Autor (es):
Alexandre Luís Giehl, Epagri/Cepa
Márcia Mondardo, Epagri/Cepa

 

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