As políticas públicas para o desenvolvimento rural no Brasil passaram por significativas transformações a partir da década de 1990, com Santa Catarina destacando-se como um caso relevante. O estado implementou um modelo que superou a visão tradicional focada exclusivamente na modernização agrícola, incorporando dimensões como sustentabilidade
ambiental e participação social, reconhecendo a relevância da agricultura familiar. O arcabouço institucional catarinense conta com instrumentos como o Fundo de Desenvolvimento Rural (FDR) e o Conselho Estadual de Desenvolvimento Rural (Cederural),
que permitem governança compartilhada entre governo e organizações de agricultores. Dois programas se destacam, o programa de financiamento e o programa de subvenção de juros. Os resultados mostram expressiva ampliação de recursos, com o programa de financiamento atingindo R$ 180 milhões em 2024. O foco do programa foi em cadeias estratégicas como a
pecuária leiteira (cerca de um quarto dos recursos em 2024) e crescente atenção à adaptação climática, com 34% dos recursos destinados a projetos hídricos no mesmo ano. Entretanto, persistem desafios, principalmente melhorar sistemas de monitoramento e avaliação, contemplando futuras investigações que identifiquem e analisem as desigualdades regionais e
de renda na distribuição dos benefícios, além de averiguar a efetividade da política na adaptação contínua frente às mudanças climáticas e de mercado. Artigo na integra
Autores
Lilian de Pellegrini Elias – Epagri/Cepa – lilianelias@epagri.sc.gov.br
Luiz Carlos Mior – Epagri/Cepa – lcmior@gmail.com
Roberta Inacia Duarte – Epagri/DERP – robertaduarte@epagri.sc.gov.br
Yasmin Metzler – Epagri/Cepa – metzleryasmin@gmail.com