Urbanização e envelhecimento da população na perspectiva de agricultores familiares do Sul do Brasil

As transformações do ambiente criam desafios e oportunidades para as organizações rurais e, em decorrência, elas acabam por influenciar as estratégias e o tipo de conduta dos agricultores. Nesse contexto, o objetivo do artigo é apresentar a perspectiva de agricultores familiares do Sul do Brasil sobre as mudanças demográficas em andamento, particularmente aquelas relacionadas à urbanização e ao crescimento populacional, com envelhecimento da população.

É um estudo com agricultores da Região Sul do Brasil, optando-se pela abordagem de pesquisa qualitativa, em que os dados foram obtidos utilizando-se de questionário e da técnica de grupo focal. Fez-se a opção pelo uso da técnica de análise de conteúdo para avaliação dos dados resultantes dos grupos focais.

Em particular, em relação à tendência de crescimento e de envelhecimento populacional, os resultados apontam para uma percepção preponderantemente de ameaça, mas, curiosamente, se constatou baixa manifestação dos agricultores acerca desse tema.

Diferentemente da tendência anterior, em relação à urbanização, prevaleceu a percepção desse fenômeno como sendo uma oportunidade, além do que as manifestações dos agricultores sobre a mesma, se deram de forma intensa. Das manifestações, emergiram sete categorias intermediárias (a partir da perspectiva dos agricultores): demanda de alimentos, relação urbano-rural e qualidade de vida, tecnologia, políticas para o campo, mercados de trabalho rural, legislação trabalhista e educação. Sinteticamente, entre as principais evidencias reveladas estão, em relação à urbanização: um fenômeno que promove maior demanda por alimentos, com reflexos positivos sobre os preços agrícolas; as preocupações com a qualidade de vida e a melhoria social do rural e do urbano; a importância da força tecnológica, mas que esta força ainda é insuficiente para frear o processo de urbanização; a sinalização do esgotamento da oferta de trabalho e a consequente elevação do custo de sua contratação; a necessidade de adequações da legislação trabalhista para a realidade do rural; as inquietudes sobre a qualidade da educação e quanto a sua adequação para favorecer a permanência dos jovens no campo.

Por fim, a partir dos resultados deste estudo, se espera inspirar e abrir novos caminhos de pesquisa em ciências sociais aplicadas, especialmente voltadas a compreender as transformações do mundo. Artigo na integra

Ano: 2018

Autores:
Luis Augusto Araújo
Luiz Torezan

 

Palavras-chave: urbanização; envelhecimento da população; agricultura familiar

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